Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

29 agosto, 2016

(Des)ilusão...

"Uma planta capaz de eliminar o vírus da Aids; o controle do diabetes apenas com uma dieta. A ciência não encontrou a cura para essas doenças crônicas, mas existem médicos que tentam ganhar dinheiro e iludir pacientes com falsas promessas de tratamento para eles."

Assim começa a matéria exibida ontem pelo Fantástico (para assistir na íntegra, é só clicar aqui). É assustador saber que estas pessoas não respeitam a vida de tantos pacientes que lidam com condições sérias de saúde, que requerem tratamento e cuidados constantes.

Ano passado eu levantei a bola sobre esse milagre vendido para curar o diabetes. Comecei a ver links e recebi até mensagens de pessoas que não conheciam e me perguntavam se fazia algum sentido. Resolvi ouvir o vídeo no qual ele prometia que a cura viria após a participação no tal Programa Reverter Diabetes - pela módica quantia de R$ 297,00...

Naquela época, ele colocava que a Universidade da Califórnia já havia descoberto a cura. Agora, o destino para fazer a mágica acontecer é a Suécia!

O sujeito alega que teve mais de 30.000 retornos de redução glicêmica e de medicamentos. Pois bem, cadê os resultados?

Pergunto mais:
Como foi feito este acompanhamento, já que não há consultas prévias e nem durante a participação no Programa?
Como pode um médico receitar uma dieta sem nem ao menos conhecer o paciente e saber como é a rotina dele?
Como um médico induz pessoas a suspender o uso de medicamentos que são fundamentais para manter o paciente vivo?
Como está a saúde destas pessoas?

Ilusão: erro de percepção ou de entendimento; emano dos sentidos ou da mente; interpretação errônea.
Vender ilusão como solução é criminoso!
Da mesma forma que se sabe que os carboidratos se transformam em açúcar e interferem diretamente nas glicemias, não é novo o fato de que uma alimentação equilibrada ajuda no controle glicêmico. O Dr. Luiz Turatti, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes - que também já publicou um alerta contra esse médico anteriormente, reforça o que é básico no dia a dia de quem convive com o diabetes: "o controle se dá com medicamentos, alimentação e exercícios".

Ainda, vale destacar o que foi dito pelo Presidente da Associação Diabetes Brasil, Dr. Carlos José da Costa: "quando o paciente volta a ingerir carboidratos, deixa de ter redução na glicemia. Portanto, a cura não passa de uma redução de glicose temporária".

Me preocupa a quantidade de pessoas que, por falta de conhecimento e informação e enxergando uma esperança contra uma doença crônica, se deixam levar por promessas falsas e pagas. O risco à saúde é enorme e pode ser irreversível!

Segundo informado no Fantástico, o Conselho Regional de Medicina do Ceará abriu um processo de investigação contra ele. Espero que ele seja desmascarado o mais rápido possível!!

Nunca, jamais, deixem de consultar seus médicos. Perguntem a eles sobre qualquer coisa que vejam ou leiam e que traga dúvidas. Estes atos impensados são graves e atingem diretamente pessoas que deixam de seguir suas recomendações médicas.










13 agosto, 2016

'Ya de vuelta , machuchos'!!

Quase tudo pronto para colocar a 'mochilita' nas costas, o cadeado na mala e sair pelo mundo.

O destino: Chile.
Vão ser 11 dias de curtição na neve, nos vinhos e na poesia de Neruda, junto com a família!

Lanchinhos devidamente separados, insumos do glicosímeto, insulinas e agulhas contados e recontados.

Opa... peraí: insumos do glicosímetro??
Sim!

Mesmo depois dos números divergentes do Libre, ele vai embarcar como meu companheiro. Uma razão é que, por mais estranho que pareça, nos dois últimos dias o sensor que vinha dando grandes variações está de volta ao normal (ufa!). Diferenças mínimas entre a leitura no braço e a capilar (144mg/ddL X 141mg/dL; 106mg/dL X 114mg/dL...).
Claro que vou ficar atenta e comparando algumas vezes, mas como este ainda tem 5 dias pela frente, vou seguir com ele.

Mas a principal razão de usar o Libre para esta viagem foi por conta de um fator importante. De acordo com a Abbott, ele tem menor influência em grandes altitudes do que o glicosímetro padrão (FreeStyle Optium, que é o que eu uso):

Libre: altitude de -381m a 3.048m; temperaturas de 10 a 45 graus;
Optium: altitude de -381 a 2.195m; temperaturas de 10 a 50 graus.

Esta lição sobre a variação das medições no Optium eu aprendi na marra, na minha viagem à Bolívia, com uma série de hipos causadas por resultados de medições 'falsas', justamente pela influencia da altitude da Bolívia. Agora tomei o cuidado de confirmar com o laboratório as variações aceitáveis, para evitar qualquer problema.

De qualquer maneira, vou levar as tirinhas e lancetas do glico padrão... vai que eu bata o braço em algum lugar e o sensor saia?? Prefiro não arriscar e estar com tudo o que é preciso à mão, para manter a doçura em ordem.

Cachecóis e meias a postos também, porque o frio faz parte da curtição e vai ser grande!
Mais algumas horinhas e embarcamos.

Vou ficar um pouco desligada do blog nesse período. Uns flashes de lá - vale até tombo no ski! - e quando voltar, conto tudo sobre a viagem e o comportamento do docinho.

Portas em automático...

12 agosto, 2016

"Porque a SBD condena a prática perigosa de falsas promessas"

A Sociedade Brasileira de Diabetes publicou um novo alerta sobre as promessas de cura que andam rondando as redes sociais e alguns canais de mídia.

O assunto é muito sério e afeta diretamente milhares de pessoas que convivem com esta condição. Por isso, não se trata de exagero em focar num mesmo assunto, mas de prevenção e atenção com quem precisa de cuidados diários para manter a saúde tinindo.

Reproduzo aqui na íntegra, para entendimento e esclarecimento da questão:

DR. LUIZ A. TURATTI
CREMESP 82.009Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes
DR. AUGUSTO PIMAZONI NETTO
CREMESP 11.970Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes doHospital do Rim – Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
Principalmente nos últimos anos, vem se tornando uma lamentável realidade a divulgação intensiva de falsas promessas de cura e controle do diabetes, de forma absolutamente promocional e mercantilista. Defendendo a utilização de soluções simplistas baseadas unicamente em propostas dietéticas, ao mesmo tempo em que tentam promover a satanização dos tratamentos farmacológicos, tais práticas ignoram as particularidades sobre o estado clínico de cada paciente.
Antes de tudo, é importante salientar que as entidades profissionais relacionadas ao diabetes reconhecem plenamente a importância vital da abordagem dietética, quando bem praticada e, principalmente, quando definida levando em conta as peculiaridades médicas de cada paciente. Em outras palavras, o tratamento dietético é necessário, porém, não suficiente para o efetivo controle de grande parte da população de pessoas com diabetes. Na verdade, as estratégias de controle do diabetes serão sempre melhoradas com a implementação de estratégias educacionais, nutricionais, automonitorização domiciliar e de tratamento medicamentoso, quando indicado. A figura 1 resume uma proposta efetiva de estratégias conjuntas e interdisciplinares. 
Figura 1 – Resumo de proposta efetiva de estratégias conjuntas e interdisciplinares (SBD)

Profissionais médicos responsáveis pela divulgação de práticas condenáveis de falsas promessas podem estar infringindo alguns artigos importantes do Código de Ética Médica de 2013, tais como: Art. 37 - Prescrever tratamento ou outros procedimentos sem exame direto do paciente; Art. 75 - Fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir pacientes ou seus retratos em anúncios profissionais ou na divulgação de assuntos médicos, em meios de comunicação em geral, mesmo com autorização do paciente; Art. 111 - Permitir que sua participação na divulgação de assuntos médicos, em qualquer meio de comunicação de massa, deixe de ter caráter exclusivamente de esclarecimento e educação da sociedade. Art. 114 - Consultar, diagnosticar ou prescrever por qualquer meio de comunicação de massa.
Art. 115 - Anunciar títulos científicos que não possa comprovar e especialidade ou área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no Conselho Regional de Medicina. Art. 116 - Participar de anúncios de empresas comerciais qualquer que seja sua natureza, valendo-se de sua profissão. 
A recomendação para suspensão do tratamento medicamentoso, sem conhecer o paciente, é uma postura ilegal e perigosa, podendo trazer consequências sérias, inclusive com morte do paciente.
Um exemplo vivo dos riscos de recomendações visando a suspensão arbitrária do tratamento farmacológico de pacientes com diabetes pode ser visto no filme “Promised a Miracle”, baseado numa história real que pode ser assim resumida: os pais de uma criança de onze anos, portadora de diabetes tipo 1 e em tratamento insulínico permanente, acabam se influenciando pela comunidade religiosa que frequentavam e acabaram por suspender o tratamento insulínico da criança, uma vez que Deus se encarregaria de curá-la. Evidentemente, a pobre criança acaba morrendo e os pais acabaram condenados por homicídio culposo. Vale a pena assistir a este comovente filme lançado em 1988 e que talvez ainda esteja disponível em videolocadoras (Figura 2).
Figura 2 – Um filme que aborda as graves consequências da suspensão do tratamento insulínico em uma criança com diabetes
Em resumo, a Sociedade Brasileira de Diabetes reconhece a importância das estratégias nutricionais, desde que acompanhadas de estratégias educacionais, de automonitorização domiciliar e de caráter farmacológico medicamentoso. Por outro lado, CONDENA com total veemência a recomendação irresponsável de suspensão de tratamentos para o diabetes, sem sequer nunca ter examinado o paciente. E esta é a razão pela qual as autoridades públicas devem intervir para coibir essa prática.
Fonte: Código de Ética Médica: Código de Processo Ético Profissional, Conselhos de Medicina, Direitos dos Pacientes. São Paulo: Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, 2013. 96 p.

É preciso ficar atento e nunca, jamais, abandonar seu tratamento por qualquer que seja a proposta mágica. 


10 agosto, 2016

Liberdade com obstáculos...

Era uma vez um glicosímetro que causou encantamento absoluto com a proposta de substituir os furinhos no dedo...

Mas como tudo que é novo, só com o uso é que vamos avaliando a evolução e o aproveitamento máximo das coisas. Com o Libre também tem sido assim.

Me dei super bem com o primeiro sensor (apesar de ter arrancado do braço por ser um tantinho estabanada...) e com o segundo e o terceiro foi assim também. Medições bem próximas entre a leitura do Libre e a glicemia capilar, tendo inclusive ocorrido resultados exatamente iguais.

Estou com o quarto sensor, ou seja, até aqui são quase dois meses usando. E, porque não dizer, testando. A tecnologia é nova e o uso no Brasil bem recente. Com a oportunidade, decidi comprar quando a venda foi autorizada e não me arrependo. Só que este sensor que está no meu braço já começou apresentando bastante diferença nas primeiras medições...

Esperei algumas horas para não tirar qualquer conclusão precipitada, mas ao longo do dia 1 já fui percebendo que algo não estava certo.

Não fazia qualquer sentido o sensor apresentar uma leitura de LO (indicando que a glicemia estava abaixo de 50mg/dL) enquanto o furo no dedo dava 105mg/dL. Neste mesmo dia, mais discrepância: 53mg/dL Libre X 141 mg/dL no FreeStyle Optium. Durante o final de semana, o descompasso continuou: 151mg/dL Libre X 197mg/dL Optium; 160mg/dL Libre X 105mg/dL Optium; 257mg/dL Libre X 171mg/dL Optium.

Acabei entrando em contato com a Abbott no primeiro dia mesmo para registrar minha insatisfação com a diferença entre uma hipoglicemia e uma glicemia razoável medidas exatamente no mesmo horário, em glicosímetros do mesmo laboratório.

Me pediram para monitorar por mais tempo, visto que ainda era o primeiro dia de uso deste novo sensor. Segui assim por mais três dias e no quarto liguei novamente informando sobre as diferenças que continuavam muito grandes. No quinto dia do sensor, me retornaram. Uma hora e meia de ligação enquanto, segundo eles, eram realizados "testes de sistema". Por fim, depois de tentarem me enviar tiras testes novas (recusei, já que as minhas estavam dentro do período de validade e sabia que não era isso a causa do problema), solicitarem que medisse a capilar no próprio leitor o Libre (já vinha fazendo isso!) e reavaliarem todos os valores díspares que eu havia informado, a posição é que estas discrepâncias são consideradas "normais e aceitáveis", segundo o setor de qualidade do Laboratório.

- Você sabe o que é diabetes?
Esta foi a pergunta que eu fiz para a supervisora que me atendia.
Sim, qualquer ser humano que tenha um mínimo de conhecimento sobre a 'doença' sabe que para compensar uma hipoglicemia é preciso ingerir açúcar; por outro lado, para corrigir uma glicemia alterada, é necessário usar insulina.

Perguntei a ela se ela entendia que se eu tomasse insulina e estivesse de fato hipoglicêmica poderia chegar a um estado de coma, nem sempre reversível, causado por uma queda brusca de glicose.

A briga foi grande!! A decepção e a irritação maiores ainda.
Como confiar daqui para frente?
Solicitei registro de nova reclamação quando ela me disse que "daria ciência" à tal área de qualidade.
Não! Sinto muito, mas isto não me atende. Existe risco envolvido. Existe a minha saúde e a de tantos outros docinhos em jogo.
E por isso, ciência eu vou dar sim, mas à ANVISA.

O curioso é que a própria Abbott pergunta se pode nos contactar para acompanhamento do uso do Libre logo que fazemos a compra. Para que?! Para não dar ouvidos ao paciente e nem levar em consideração uma situação que pode trazer graves consequências?

Não vou abandonar o Libre de vez, não é isso que eu quero. O que quero é contribuir com a minha experiência para que qualquer aprimoramento e ajuste deste sistema de medição seja feito, para garantir a tranquilidade e a facilidade que o produto propõe.

E deixo no ar uma questão bem simples: se é preciso seguir comparando - mesmo após os 3 ou 4 primeiros dias de aplicação do sensor - as glicemias intersticial (a do braço, através do sensor) e capilar (a da pontinha de dedo), qual o propósito do sensor que promete livrar os diabéticos dos furos nos dedos?



04 agosto, 2016

Sobre o jogo da vida...

Começaram os jogos olímpicos.

Admiro nossos atletas, que vão alem do esforço físico para alcançar a oportunidade de poder participar de uma das maiores competições do esporte mundial.
A luta não é somente pela vaga, esse seria o ideal. Só que no Brasil nossos esportistas lutam contra a falta de local adequado para treinar, lutam contra a falta de dinheiro para se manter, lutam contra a falta de patrocínio.

Para eles, minha maior admiração por ainda assim seguirem de cabeça erguida atrás do objetivo. Que agora, dentro do próprio país, consigam o melhor em cada minuto competindo!

Mas minha torcida se estende um pouquinho mais... Desta vez ela também é declarada à cada 'atleta' brasileiro e doce que está em todo canto verde e amarelo.

Modalidade olímpica nesse país tem sido corrida atrás de tiras testes, salto em obstáculos para garantir um análogo de insulina, revezamento mensal de disponibilidade de insumos.

'Doping' aqui é garantia de vida: um dia sem insulina leva à 'glicemias dessincronizadas' e não queiram imaginar as consequências disso!

Os cinco anéis olímpicos entrelaçados representam os cinco continentes.

(Anéis Olímpicos Parque Madureia - Foto: Walter Pereira)




Pois faço proveito do número e cito as cinco complicações mais frequentes causadas pela falta de controle do diabetes:

- neuropatias (complicações neurológicas);
- nefropatia (complicações nos rins);
- cardiopatia (complicações no coração);
- retinopatia (perda parcial ou até total da visão);
- doença arterial periférica (redução do fluxo de sangue para os pés).










Conhecimento é fundamental e não me canso de dizer que faz parte de um tratamento eficaz; não seria desta vez que eu me eximiria de levantar essa bandeira.

O fato é que somente conhecimento não traz eficácia e garantia de saúde. A realidade da falta constante do que é básico para cada pessoa que vive com diabetes é dura e pode trazer problemas irreversíveis.

O diabetes não é sentença, a falta de recursos é.
A falta de insulinas, de tirinhas, de médicos especialistas e de educação em diabetes é.
A falta de respeito é.

De novo: prezo pelos nossos esportistas, dedicados, incansáveis.
Mas enquanto a saúde ficar de lado, não temos medalha de ouro.
Enquanto o diabetes não for tratado com a atenção devida, não temos prata.
Enquanto não houver prioridade no trato com os diabéticos, nem o bronze vale.

Até lá, fico com este símbolo aí:

Meu grito é azul. Minha torcida é azul.
Meu time é azul e essa competição segue até que cada um tenha condição de chegar ao pódio em segurança.